Café Majestic — desde 1923

MAJESTIC · PORTO NOSSO

Agostinho Barrias e Fernando Barrias, Café Majestic

A história do Café Majestic revela um dos maiores símbolos de prestigío da baixa do Porto

Recém-chegado da primeira travessia aérea entre Lisboa e o Funchal, e pouco antes de partir para aquela que seria a primeira travessia aérea do Atlântico Sul, o piloto aviador Gago Coutinho presidia, a 17 de Dezembro de 1921, à inauguração do espaço que fora no século XIX uma loja de artesanato e onde se encontrava agora o café Elite, no número 112 da Rua de Santa Catarina, no Porto. Sugerindo o chic parisiense, tão em voga na época, o prestigiado café viria a alterar em 1923 o seu nome para Majestic.

Impressionado com o seu esplendor arquitectónico e decoração Art Nouveau —da autoria do arquitecto João Queiroz e inspirado na obra de seu mestre, Marques Silva— Gago Coutinho voltaria a visitar o Majestic inúmeras vezes, frequentemente na companhia da famosa actriz Beatriz Costa. Entre os ilustres frequentadores do Majestic contam-se nomes como José Régio, Teixeira de Pascoaes, Leonardo Coimbra, Júlio Resende ou Manuel de Oliveira —presente não só na primeira mas também na segunda inauguração do café, que teve lugar a 15 de Julho de 1994—, tendo sido visitado por figuras internacionais do calibre de Romy Schneider, Jacques Chirac, Juscelino Kubitschek ou, mais recentemente, J. K. Rowling —que presumivelmente aí terá produzido as notas preliminares para o seu primeiro êxito literário: Harry Potter e a Pedra Filosofal.

Em 1927, ainda sob a alçada da Sociedade Majestic Café, abria também o Pavillon Majestic, uma cervejaria amovível, localizada em frente à Rua do Crasto, onde mais tarde esteve o Bar do Molhe e onde hoje em dia se encontra a Pizza Hut.

Muito embora, por intervenção de um grupo encabeçado pelo filho do arquitecto João Queiroz, o Majestic tenha sido decretado Imóvel de Interesse Público a 24 de Janeiro de 1983, este porto seguro para tertúlias, artistas e intelectuais sofrera, desde o início da década de 60, as consequências de um declínio na vida cultural portuguesa, o que conduzira inevitavelmente a inúmeros despedimentos e à venda do espólio do café, que assim se encontrou despedido da sua beleza e requinte originais. Mas este não seria, felizmente, o último capítulo na história do prestigioso café. Ainda durante o ano de 1983, Agostinho Barrias arriscaria na aquisição do Majestic, o que nos leva ao próximo capítulo desta história.

 

A RECONSTRUÇÃO DO MAJESTIC CAFÉ

Empenhados em recuperar o antigo esplendor do café mais carismático da Invicta, os Barrias basearam-se em fotografias antigas encontradas por acaso por Fernando Barrias na Foto Beleza para refazer, ao pormenor, o mobiliário, os candeeiros e as colunas originais do espaço. Tendo encontrado por coincidência o filho do artesão que, em 1937, acompanhara o pai no restauro dos sofás do Majestic, encomendaram-lhe de novo o serviço. Um dia, de passagem pela oficina, foram encontrar os sofás submergidos no rio. Estupefactos, descobriram então que era esta a técnica utilizada para desintoxicar a madeira dos estragos provocados pela exposição ao fumo do tabaco e a outros agentes.

Embora sem qualquer comparticipação por parte do Estado ou da Câmara Municipal, a família Barrias encerrou o Majestic para obras de reabilitação em 4 de Outubro de 1992. Realizadas as obras com capitais próprios da família, o café reabriu finalmente a 15 de Julho de 1994. Assinado e submetido ao IPPAR pela arquitecta Teresa Mano Mendes Pacheco, e tendo estado 3 anos na Câmara para aprovação, o projecto possibilitou as obras de restauro, restituindo finalmente a glória e magnificência de outrora ao Majestic.

Tendo vindo a ser alvo de inúmeros prémios e reconhecimentos internacionais, o Majestic foi classificado pelo site cityguides como o sexto café mais belo do mundo. Frequentado por residentes e visitantes de todas as nacionalidades é hoje, de novo, um dos locais de culto mais representativos da história cultural do Porto. Sobre o Majestic escreve o cineasta Manuel de Oliveira, durante uma visita ao café, a 2 de Abril de 1998: “Sempre que venho ao Majestic, é com emoção que me lembro da inauguração do arquitecto Queiroz e da 2ª inauguração depois da feliz ideia da sua recuperação. Tomar aqui um simples café é recordar imensas cousas de velhos tempos.”

 

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2017-09-26T19:19:27+00:00