Porto 34
— desde 2017 —

Esta história tem como pano de fundo a poesia e a justiça.
Cresce em versos, erguendo-se de si para O outro.

Converte-se com o tempo numa afirmação de humanidade, entreajuda e humildade, num legado artístico e ideológico, posto à prova nas ruas do Porto por Maria Sá Carneiro, prima de Mário Sá Carneiro e sobrinha de Francisco Sá Carneiro.

No Porto 34, culmina o trajeto de uma vida dedicada à preservação do talento e da ingenuidade portuguesa. Uma caminhada que não se fez sem percalços e infortúnios, levada a termo mais pela perseverança de Maria que pela sorte, contando apenas com uma boa bagagem de valores e ideais. Seguindo o trajeto familiar, não muito longe da árvore, lá tirou o curso de direito, optando por deixar o diploma na gaveta. O fascínio pelas interacções do quotidiano, o gosto pelas pessoas e a atração pelo lado bairrista do Porto, levou-a às ruas, às boutiques, à restauração, e daí até às feiras, com as suas coloridas barraquinhas, recheadas de tesouros feitos pelas mais briosas mãos.

Há aqueles que fazem e aqueles que gostam. A Maria pertence aos que gostam, ou melhor, aos que amam, tanto daquilo que é feito como de quem o faz. Entregou-se de alma e coração ao Mercado da Alegria, um evento semanal impulsionado por Dra. Maria Lacerda, da União de Freguesias de Aldoar/Foz do Douro e Nevogilde, recorrente aos domingos no Jardim do Passeio Alegre. O Mercado da Alegria tornou-se numa das mais bem sucedidas mostras de artesanato português da cidade, combinando os bordados, as rendas, a tapeçaria, a tecelagem, a joalharia ou a cerâmica, numa esfera de modernidade aliada à tradição, integrada numa atmosfera de amizade e entreajuda.

Passados vários anos, após dezenas, senão centenas de edições do Mercado da Alegria, foi-se tornando urgente a necessidade de um espaço físico para a exposição permanente do trabalho dos artesãos e venda de produtos locais no centro do Porto. O local escolhido foi o nº 34 da Praça Coronel Pacheco, numa antiga loja de móveis a poucos metros da UPTEC.
O espaço precisou de ser totalmente reabilitado, mas o esforço foi recompensado com a adesão de 38 marcas e artesãos, distribuídos em blocos de paletes por trás dos 50 metros de montra da loja.

À semelhança do Mercado da Alegria, o Porto 34 oferece uma panóplia de saberes e sabores, como o mel da casa de Alegrete, a cerâmica de Mané Sousa ou a bijuteria da oficina Antonius. Porém, o Porto 34 vai mais além, com oficinas, demonstrações ao vivo, eventos e workshops que permitem interagir a aprender com os mais talentosos ceramistas, ourives e costureiros. Para os visitantes que procuram um momento de descontração e tertúlia, o estabelecimento tem um bar, onde se pode degustar o clássico vinho do Porto, ou talvez um branco fresquinho para acompanhar nos recitais de poesia. O Porto 34 disponibiliza também um serviço de acondicionamento de bagagem, proporcionando ao turista uma forma mais ligeira e confortável de descobrir o Porto.

Assim como o seu tio, Francisco Sá Carneiro, que passeava despreocupado no meio de multidões sem procurar protagonismo, também Maria se mescla inconspicuamente no corrupio do Porto 34, sem nunca esquecer as palavras que este lhe fez chegar ao ouvido na celebração da vitória de 1979 : "uma pessoa pode ser importante num momento e esquecida no outro".

Este é o Porto 34, refúgio humilde e fraterno de poetas e artesãos.  
Porto 34

 

2018-04-23T11:26:47+00:00