Endovélico
— desde 2014 —

"Quer uma faca serrilhada para o seu bife ou prefere uma espada de bronze?" Em qualquer outro restaurante esta pergunta seria descabida, mas no Endovélico, localizado na Rua do Bonjardim, nº 680, é apenas mais um dia. Antes de começar a ficar desconfiado do que está a ler, considere que este não é um restaurante convencional. O conceito trazido até às gentes do Porto por Maria José Valente e Jaime Filipe Barros é algo de inédito na Invicta: um restaurante temático com inspiração na interessante miscelânea cultural dos povos Celtas, nomeadamente da Bretanha, Astúrias, Galiza, Escócia, Irlanda e, claro está, do norte de Portugal. O entusiasmo partilhado pelo casal sobre esta cultura transformou-lhes a casa num verdadeiro museu, com peças e artefactos colecionados nas muitas viagens onde tiveram contacto com ela.

O percurso profissional dos dois não incluia qualquer experiência de restauração. Maria é formadora e consultora na área comportamental e Jaime lida com printing, software de gestão e equipamento de escritório em geral. Por outro lado, a rua onde queriam erguer o Endovélico encontrava-se algo abandonada e o conceito não se afigurava de fácil aceitação para um público que não o conhecia de todo. Foi, portanto, um trabalho de esforço e perseverança, o que curiosamente legitima perfeitamente os papéis encarnados pelo dinâmico casal no restaurante. Ela Boudica, guerreira celta de pulso forte, ele, Breogán, chefe de tribo, assertivo, confiável…

O Endovélico deve o seu nome ao deus homónimo. A sua lenda já se encontra um pouco perdida nas brumas do tempo e é, por isso, um prazer encontrar quem o cante nestes tempos de modernidade acelerada. A sua personalidade espelha surpreendentemente a dualidade da natureza humana, com uma componente telúrica, associada a prazeres e hábitos e uma componente solar associada à proteção da humanidade e medicina.
Maria e Jaime fazem ainda questão de celebrar 8 sabbats de agradecimento aos deuses que incluem dois equinócios, dois solstícios e quatro outras celebrações. De assinalar também a queimada galega, completa com dramatização e imagética a rigor, em que Jaime se transforma em druida.

O público alvo do restaurante demorou algum tempo a aceitar o conceito e recai essencialmente sobre as faixas etárias compreendidas entre os 30 e os 50 anos. Existem, porém, dois grupos que frequentaram, desde cedo, o estabelecimento: os "metaleiros" e os naturistas, quiçá atraídos, respetivamente, pela estética semi-bélica e costumes ligados à terra.

Contudo, nem só de costumes é feito um restaurante e o Endovélico sabe encantar a clientela com pratos dos deuses. Têm uma excelente seleção de tapas (com nomes celtas e com opções vegetarianas) e as galetes de trigo sarraceno, típicas da Bretanha são um dos pratos mais pedidos no estabelecimento. Não esquecer também as tábuas de queijo e enchidos e as sobremesas completamente caseiras. Quanto a bebidas, também não há falta de vários nectars, desde as inúmeras variedades de cerveja artesanal, passando pela cidra da Bretanha e famosa sangria com cidra.

Segundo Maria, a grande dificuldade inicial consistiu em encontrar uma equipa que soubesse absorver o espírito da casa e transmiti-lo à clientela. Hoje em dia conta com um staff dedicado e bem inteirado do que o Endovélico representa: uma casa única e culturalmente preenchida, na Invicta.

Atreva-se e venha conhecer este espaço tão interessante! Mas, por favor, atente que estávamos a brincar no início da história. Não tente cortar um bife com uma espada, use a faca que dá mais jeito.  
Endovélico

 

2018-08-20T12:00:22+00:00