Petisqueira Voltaria
— desde 2016 —

Era uma vez, um senhor que estava de dieta... Vamos ter de parar já, porque hoje contamos a história da petisqueira Voltaria, cujo slogan visível no balcão nos alerta que nenhuma história começa assim. E se começasse, rapidamente se desmoronava, porque este estabelecimento, situado na rua Afonso Martins Alho, 109, no Porto, é uma tentação à mais acérrima dieta.

As mãos milagreiras que comandam a cozinha pertencem à fundadora, Fátima Teixeira, que, ao sentir-se fatigada da profissão que exercia, resolveu dar a conhecer à Invicta e aos seus muitos visitantes, os seus talentos culinários. Habituada a cozinhar para grandes grupos de amigos em casa, soube dar o salto para a área profissional, não descurando, claro, a formação necessária que a preparasse para uma realidade diferente. Conta com a ajuda de Hugo Volta, o seu marido, um mestre de cerimónias por excelência. Ambos são formados em turismo e adeptos do contacto com outras culturas e locais. Não será, portanto, de espantar que mantenham tão boas relações com os clientes de várias nacionalidades que os visitam. Hugo relata inclusivamente uma situação curiosa com duas nova-iorquinas que almoçavam no Voltaria. Adivinhou que uma delas era, na verdade, de Trinidad e Tobago e o simples facto de ele conhecer o seu país emocionou a senhora. Este entusiasmo cultural é bem visível numa das paredes da casa, em que um mapa mundo repleto de mensagens de quem por aqui passou, rivaliza com o feedback das redes sociais.

O estabelecimento conta com uma lotação máxima de 20 pessoas e vai de encontro ao espírito de proximidade que o casal quer propagar. A ideia não é servir e seguir, mas sim disponibilizar uma refeição que se possa apreciar em todas as suas nuances, e em que o diálogo é uma das mais importantes. As crianças deixam agradecimentos nos guardanapos, os clientes enviam postais com mensagens de apreço, assim são as relações que aqui se desenvolvem…

Mas afinal de contas, o que se petisca no Voltaria? Os pratos são demasiados para enumerar, mas deixamos aqui alguns só para abrir o apetite: bacalhau à braz, bacalhau com natas, bochecha de porco preto, sandes de presunto de porco preto com ovo estrelado, salada de grão com bacalhau... Não faltam também as criações culinárias exclusivas de Fátima: tentugal de alheira, pastel de nata de bacalhau ou de alheira, sandes de bacalhau com ovo, entre outras (se sentir uma vontade enorme de provar qualquer um dos pratos mencionados, não se preocupe, é normal). Claro que, estando no Porto, não podia faltar a mítica francesinha, confeccionada com receita própria e com um molho bem equilibrado. Aliás, até a a excelente sangria costumava ser azul, a título de homenagem à Invicta, mas para tristeza de Hugo, o espumante que lhe dava a cor deixou de ser produzido. A petisqueira não recorre a nenhum tipo de fritos e os ingredientes são 100% portugueses, assim como os gins, vinhos e cervejas que acompanham as deliciosas refeições.

No espírito de intercâmbio cultural, Fátima e Hugo recomendam outros locais de paragem obrigatória e primam por manter a qualidade que apresentaram na abertura da casa. Contam histórias da sua cidade e recebem dos seus visitantes relatos insubstituíveis, numa reciprocidade que revela os valores intemporais de diálogo entre as gentes.

O nome da casa surgiu numa brincadeira com os amigos, numa das muitas tertúlias que organizavam em casa, e relaciona-se com o nome de família de Hugo e o verbo 'voltar'. Não é difícil perceber o trocadilho se indagar um visitante da petisqueira:
- O que achou?
-Voltaria!  
Petisqueira Voltaria

 

2018-09-14T17:02:43+00:00