Papelaria Araujo & Sobrinho
— desde 1829 —

Para entendermos o vasto legado que a Papelaria Araujo & Sobrinho representa, temos primeiro de conhecer a história da pessoa que criou este negócio com quase dois séculos de existência. Manoel Francisco Araújo foi um homem com uma visão invulgarmente sagaz e com uma paixão inesgotável pelo simples ato de viver. Manoel adquiriu de um familiar, no Largo de São Domingos, um armazém de papel já existente e que prontamente adaptou para comercializar águas de colónia, sabonetes, chocolates, porcelanas, instrumentos musicais, enfim, uma série de artigos, cujo principal público era composto por ingleses abastados que populavam aquela parte da cidade. Com a evolução do sector da papelaria foi nela que focou o seu negócio. De notar que, à data de fundação do negócio, em 1829, a atividade de papelaria envolvia essencialmente tintas, papel e penas. Manoel reconhecia, já nessa altura, a importância de atribuir uma imagem à sua marca.

A papelaria foi passando de geração em geração e, décadas mais tarde, era o neto de Manoel Araújo que geria a loja. Ao oferecer sociedade aos sobrinhos, acabou por batizar a marca com o nome pelo qual ainda hoje é conhecida. O edifício onde o negócio se encontrava sempre pertenceu à família Araújo e, com o desenvolvimento da atividade, a vida familiar misturava-se com o vai e vem de gentes, com as encomendas, com aquele típico burburinho do comércio de proximidade, que preenchia os três primeiros andares.

É neste ambiente que surge o presente proprietário da loja, Miguel Araújo. Desde cedo, teve contacto com o mundo do papel e da tinta, através do seu pai, que o levava a feiras importantes na Alemanha, Itália e Paris aprimorando assim o gosto pela área. Já na idade adulta trabalhou num armazém de papelaria, a que se seguiu a Firmino Santos e Carvalho onde esteve durante 10 anos e onde adquiriu experiência substancial. Sempre sedento de conhecimento, resolveu descobrir o comércio numa esfera internacional, ao trabalhar no projeto de um amigo. Mas claro que, olhando para o seu futuro, Miguel Araújo não pôde deixar de pegar na tocha que era o legado da família dando continuidade ao negócio.

Durante a sua gestão testemunhou a evolução do negócio, desde a informatização dos gabinetes de arquitetura, que eram alguns dos seus clientes mais assíduos, até ao domínio do sector por grandes grupos. No entanto, soube sempre adaptar-se às novas exigências, ao comercializar, por exemplo, material especializado para design e arquitetura. Miguel Araújo fez questão ainda de contar com o apoio das pessoas que o viram nascer e tão bem o conheciam: os colaboradores do seu avô, pessoas com, por vezes, décadas de casa e insubstituível experiência, assim como uma enorme sabedoria na área.

Relembra com um sorriso vários episódios marcantes do negócio, como o senhor que lá trabalhava e certo dia levou canetas que davam choque para divertimento de colaboradores e clientes, ou os tempos em que começou a alugar espaços a estudantes no edifício, que se encontrava um pouco vazio. Rapidamente, o prédio começou a parecer uma autêntica república, e com a vida que essa nova dinâmica trouxe ao bairro (e alguma algazarra), houve também novas ofertas para adquirir o espaço, desde particulares a grandes negócios. Apesar de alugar pontualmente espaços, Miguel fez, contudo, finca-pé à venda por dois motivos: não queria desfazer-se do edifício que sempre tinha pertencido à família, nem queria que a papelaria mudasse de sítio. Aquele local era no fundo, uma parte integrante da memória coletiva da invicta. Quando Miguel Araújo nos confessa que não 'tinha o direito de fechar a loja', sabemos estar perante um comerciante que valoriza não só o seu legado, como a história de uma cidade e o seu próprio papel nela.

Quis, porém, o destino que o nosso empreendedor encontrasse parceiros que soubessem respeitar a faceta centenária do seu negócio e tudo o que representava. Um arquiteto que já tinha tido um atelier no seu prédio, mencionou-lhe um grupo de Fátima ligado à hotelaria, o grupo Lux Hotels, que parecia a escolha ideal. E é assim que nasce, em Março de 2015, esta parceria no edifício da família, surgindo então o Porto A. S. 1829 Hotel, dando continuação à papelaria agora numa escolha mais otimizada da sua oferta e continuando com o símbolo da sua fundação, o cavalo-marinho, símbolo de sorte e de honestidade.

Muitos estudantes, designers e arquitetos guardam ternas memórias de juventude deste local centenário, quando visitavam os seus recantos e se maravilhavam com o universo de material das melhores marcas expostas em armários, estantes e vitrines lindíssimas, que ainda hoje se encontram na loja e por todo o espaço do Porto A. S. 1829 Hotel, inclusivé no Restaurante Galeria do Largo, outrora uma Galeria de arte, onde artistas da terra expunham os seus trabalhos, é agora uma montra de sabores que convida a uma viagem pela gastronomia lusa. Outros recorrem à papelaria, na confiança de que seja o local ideal para material de design, fine art, papelaria e escritório. E há ainda aqueles, que nunca tendo conhecido a loja, ficam maravilhados com a sua beleza e profissionalismo de quem lá trabalha.

Por todos estes motivos, Miguel Araújo continua a estar atrás do balcão, sempre disponível, sempre bem-disposto, nunca desistindo da sua maior ambição - perpetuar o negócio de família, que continua a encantar o Porto e todos os seus clientes.
Deixe-se encantar, pois a tradição ainda é o que era!
Visite-nos!  
Papelaria Araujo & Sobrinho

 

2018-11-15T11:00:00+00:00