O’Porto Seven
— desde 2012 —

Poucas experiências providenciam um maior conhecimento sobre quem nos rodeia, como disponibilizar uma habitação. Hoje contamos a história de Maria Bernardete e Paula, que aprimoraram a arte de bem receber e que, após remodelações, leis e contratempos, chamaram a um cantinho na rua Oliveira Monteiro, nº 581, por onde já passaram inúmeras vidas, o O'Porto Seven.

O percurso desta guesthouse principia, em 1980, com Bernardete. Em 1979, deixou para trás o mundo da restauração, ao trespassar o restaurante que tinha explorado em Ermesinde. Mudou-se para o Porto e comprou o trespasse de uma residencial, a que deu o nome de 'Maria Bernardete Residencial', numa altura em que a cidade era um pouco diferente. Por um lado, já se delineava com traços de atratividade profissional em vários setores, mas, ao contrário do seu presente, não possuía a enorme oferta de alojamento local. A força de trabalho que afluía à cidade via-se com poucas opções de habitação, um simples quarto que fosse e, por conseguinte, as residênciais tinham um funcionamento, eufemisticamente falando, único. Nas palavras mais diretas de Paula, 'enfiavam-se' pessoas onde houvesse espaço. Eram vidas marcadas pela dificuldade, porém, também repletas de experiências únicas. Bernardete, que vivia na própria residencial, presenciou o percurso de inúmeros residentes, e chegou inclusivamente a ser madrinha de muitas uniões que brotaram com a convivência próxima.

Para ela, o seu negócio era indissociável da sua própria vida e assim que teve possibilidade, comprou a casa. Corria o ano de 1998 e Bernardete aproveitou para fazer substanciais alterações ao edifício. As realidades de alojamento tinham começado a mudar e os inquilinos procuravam já um conceito com mais privacidade e espaço, além de ocuparem quartos por períodos mais curtos. Desta feita, as divisões foram redesenhadas para o formato em que se encontram hoje em dia, ficando, em boa verdade, da arquitetura original, apenas os pavimentos e as escadas.

Foi também nesta altura que conheceu Paula, futura companheira de profissão. Paula, nas suas próprias palavras, caiu de paraquedas no negócio, não tendo qualquer experiência na área. Tinha o curso de gestão e a sua experiência profissional recaía sobre contabilidade, mas, nem por isso deixou de ver as possibilidades da atividade de Bernardete. Longos foram os serões em que as duas discutiram ideias sobre como melhorar o serviço prestado, a partir da altura que começaram a trabalhar juntas, em 2003. Em 2012, a Câmara do Porto lançou a nova lei de alojamento local, que requalificava forçosamente todos os negócios de alojamento, como tal. Para continuar a exercer atividade, Bernardete e Paula efetuaram novas obras, por forma a assumir um novo conceito de guesthouse. Paula investigou as novas sinergias digitais, nomeadamente a possibilidade de estabelecer parcerias com o site booking.com e acabaram por abrir um novo capítulo na história da casa.

A transformação baseou-se nos gostos pessoais das duas empreendedoras. Em suma, conceptualizaram o novo espaço conforme o que gostariam de encontrar quando estavam hospedadas num alojamento: conforto no quarto, decoração minimalista, limpeza irrepreensível e um pequeno almoço fantástico (algo de que poucas guesthouses se podem gabar). Fizeram ainda questão de terem à disposição da clientela artigos portugueses, sejam eles alimentares (bolacha maria, biscoitos típicos, entre outros) ou têxteis. O O'Porto Seven conseguiu também fundir a faceta centenária do edifício que se enquadra, com pormenores deliciosos de modernidade, dos quais as banheiras de hidromassagem presentes em quatro dos sete quartos, são as principais vedetas. Os outros três não ficam esquecidos, uma vez que possuem cabines de hidromassagem. De mencionar ainda que todos os quartos têm aquecimento central e ar condicionado. Se todo este conforto parece convidar a ficar excessivamente na guesthouse, desengane-se: a curiosidade é espicaçada com os nomes das diferentes divisões, que convidam a visitar os vários monumentos ou pontos de interesse do Porto que vive fora da residencial. Tal descoberta afigura-se, por outro lado, fácil, devido à centralidade do estabelecimento, que goza de óptimas soluções de transporte, tais como metro e autocarros.

O nome do negócio é uma referência ao número de quartos disponíveis e à própria Invicta. A rua Oliveira Monteiro sofreu algumas alterações, ao trocar faustosas vivendas por prédios, mas algumas coisas no O’Porto Seven parecem destinadas a ficarem para sempre iguais. Prova incontornável é o número de telefone do estabelecimento, que ao longo de todos estes anos apenas sofreu o acrescento de um '0', além do '22' do indicativo de zona. Paula e Bernardete foram pioneiras no conceito de guesthouse e isso é perceptível na sensibilidade e experiência com que lidam com os seus clientes, características também elas imutáveis.
Se quiser visitar a Invicta não há melhor albergaria!  
O'Porto Seven

 

2018-11-26T10:17:08+00:00