Couto
— desde 1918 —

Recuando ao Portugal de antigamente, em que as emissões ainda eram a preto e branco, uma marca conquistava o mundo publicitário, usando vários meios para mostrar um produto que ainda hoje é utilizado desde o raiar ao fim do dia. Para quem ainda não adivinhou, estamos a falar da Couto, uma marca que, em 2018, completa um século de existência.

A história começa com a sociedade Flôres e Couto e com uma viagem do farmacêutico Alberto Ferreira e Couto para o Brasil nos anos 20, onde expandiu a sua rede de contactos e conhecimentos. Ao regressar a Portugal, um doutor brasileiro seu amigo, sugeriu-lhe que lançasse uma pasta de dentes para combater os problemas associados com a sífilis. O ex-libris da Couto foi lançado como pasta medicinal, em 1932, sob a nova designação da marca, Couto, Lda. e encontrava-se quase exclusivamente à venda em farmácias. Ambas as situações viriam a mudar no futuro.

A produção da pasta era efetuada por cima da Farmácia Couto, gerida pela irmã de Alberto Ferreira, local que durante muito tempo foi o bastião da marca, até as instalações serem deslocadas para o parque Ultic, em Gaia, em 2004. Hoje em dia é o Sr. Gomes da Silva, sobrinho de Alberto, que gere a marca. Começou a trabalhar na empresa com apenas 17 anos e os seus atuais 85 (à data em que esta história é escrita) deixam antever uma sapiência apenas superada pela sua calma.

Conta com o apoio da sua esposa, Alexandra Gomes da Silva, na gestão comercial e Cláudia França, na direção técnica, que engloba o controlo de qualidade e desenvolvimento de novos produtos, até porque a marca foi sempre inovando a sua oferta. Após o sucesso da Pasta Medicinal Couto, foi lançado o tónico e o Restaurador Olex, que podiam ser usados alternadamente para proteger e cuidar do cabelo e cujas publicidades ainda serão certamente lembradas pelos mais velhos. Nesta altura, a pasta medicinal já era designada como dentífrica e vendida em vários pontos do país. De seguida a marca apostou em vaselina, água oxigenada e o creme desodorizante Deotac. Cláudia França continua a conceptualizar novos produtos para a Couto e, mais recentemente, teve uma inspiração que alia a tradição da marca à tradição portuguesa. Cada linha da marca apresenta uma cor específica e Cláudia encontrou essas cores num azulejo portuense. Após algum trabalho de estudo, integrou a imagética nos novos produtos, tais como o creme de mãos, sabonetes e creme para a barba.

Recentemente, a Couto ganhou uma faceta de maior proximidade ao consumidor, com a aquisição da loja nº 330 na Rua de Cedofeita, dedicada exclusivamente à panóplia de produtos e que também constitui o museu da marca. Para Alexandra esta é uma aquisição emocional, uma vez que, curiosamente, tinha crescido nesse mesmo prédio, além da sua mãe também ter tido lá uma loja. Para a marca, foi uma oportunidade não só de reforçar a sua imagem, mas também de revitalizar a zona de Cedofeita. Nas paredes da loja encontramos registos fotográficos da evolução da marca ao longo dos tempos bem como algumas preciosidades, tais como o livro com os registos manuais de Alberto Ferreira que detalha as fórmulas utilizadas em vários produtos, exemplos dos primeiros produtos que ainda eram embalados à mão, balanças da Farmácia Couto e utensílios de laboratório. A loja abriu em 2017, mas conta com uma afluência excepcional, contribuindo em muito para as 13000 pastas dentífricas produzidas diariamente na fábrica do complexo Ultic. Várias são também as nacionalidades que por aqui passam, ansiosas por conhecerem um pouco da própria história de Portugal para a qual a Couto tanto contribuiu. Alguns visitantes parecem querer levar a loja toda, como refere a Sra. Felismina, que realiza as visitas guiadas. A marca é bem conhecida além-fronteiras, quiçá dada a conhecer ao mundo pelo mercado da saudade. Como o Sr. Gomes diz 'onde há portugueses há pasta Couto'.

Sorrisos saudáveis e peles felizes não são, contudo, o único legado da marca. Atualmente, uma das maiores alegrias do Sr. Gomes é a Fundação Couto, criada com o intuito de acolher as crianças mais desfavorecidas. Hoje em dia, a fundação inclui uma pré-primária dos cinco meses aos cinco anos da qual os petizes podem usufruir das sete da manhã às oito da noite. Para os mais velhos existe ainda um ATL repleto de atividades divertidas. Podemos concluir que a Couto cresceu e com ela a sua responsabilidade social para com a comunidade envolvente.

Esta é uma marca que está há muito no coração dos portugueses - ou como dizia o slogan, na boca.
Venha conhecer na nova loja o percurso desta marca centenária e faça também parte da sua história.  
Couto, S.A.

 

2018-12-21T12:24:13+00:00